Ana Rey

 

 

Cada vez mais um silêncio, não entre a obra e quem a olha e sim um silêncio que pertence a obra. A obra passa quase despercebida por não apresentar exageros, tudo se encontra no lugar, acomodado, parado, suspenso. Um estado de superfície.

 

Os recursos que se encontram no processo privilegiam as cadeias metonímicas, deslizamento sem lugar de chegada e sem um ponto de partida, onde Derrida cunha o termo disseminação. Trata-se de um processo que se inicia no múltiplo. Por semelhanças, desloca-se. Mas, de uma maneira não pejorativa se encontram entes ou significantes, como no esquema de Saussure ou de Lacan.

Rearranjando novas apresentações e um domínio do campo representativo a cada obra, Ana Rey constrói sua obra entre formatos, subjetividades e concretudes, um desvio. Um passo de cada vez. E para perceber o poético necessita vivenciá-lo, conferindo ao trabalho um pulsar para além da mera representação.

 

Para Benedetto Croce, “Quem entende de poesia vai diretamente àquele coração poético e percebe suas pulsações; e onde as pulsações se calam nega que haja poesia, não importando quais e quantas sejam as outras coisas que ocupam seu lugar, acumuladas na obra, por mais que sejam apreciáveis por virtuosidade e sabedoria, por nobreza de entendimentos, por agilidade e engenho, por aprazibilidade de efeitos. Quem não entende de poesia perde-se perseguindo estas coisas, e seu erro não é admirá-las, mas admirá-las chamando-as de poesia”.

 

Na minha opinião, uma obra de arte tem um grande número de propriedades muito diferentes das que caracterizam um objeto que, apesar de materialmente indiferenciável dela, não é uma obra de arte. Algumas dessas propriedades podem muito bem ser estéticas, tendo a faculdade de provocar experiências estéticas ou a possibilidade de ser consideradas “preciosas e valiosas”. Mas para reagir esteticamente a essas propriedades é preciso antes saber que o objeto em questão é uma obra de arte, de modo que para reagir de modo diferenciado a essa diferença de identidade é preciso que já tenha sido feita a distinção entre o que é arte e o que não é. (Danto, 2005: 151)

 

 

Rubens Pontes

Professor de Artes Visuais.

S.P. 2015

 

...Entendendo a obra de arte como estrutura, ou seja, como um conjunto de elementos organizados segundo um sistema de rigorosas dependencias internas. Esto implicaria uma conciência metalinguistica que se materializa na obra de Ana Rey no proprio ato de pintar, compor ou instalar. 

 

 

Trecho da Monografia da Universidade Nacional de Córdoba

Cátedra: Arte Argentino e Latino Americano

Prof. Asisstente: Lic. Mónica Jacobo

Prof. Adscrita: Nora Ballari

Alunas: Mohadile, Nahir; Villanueva, Celeste.

Córdoba, Outubro 2012

Trad. Ana Rey

Ana Rey

Cada vez mais um silêncio, não entre a obra e quem a olha e sim um silêncio que pertence a obra. A obra passa quase despercebida por não apresentar exageros, tudo se encontra no lugar, acomodado, parado, suspenso. Um estado de superfície.

 

Os recursos que se encontram no processo privilegiam as cadeias metonímicas, deslizamento sem lugar de chegada e sem um ponto de partida, onde Derrida cunha o termo disseminação. Trata-se de um processo que se inicia no múltiplo. Por semelhanças, desloca-se. Mas, de uma maneira não pejorativa se encontram entes ou significantes, como no esquema de Saussure ou de Lacan.

Rearranjando novas apresentações e um domínio do campo representativo a cada obra, Ana Rey constrói sua obra entre formatos, subjetividades e concretudes, um desvio. Um passo de cada vez. E para perceber o poético necessita vivenciá-lo, conferindo ao trabalho um pulsar para além da mera representação.

 

Para Benedetto Croce, “Quem entende de poesia vai diretamente àquele coração poético e percebe suas pulsações; e onde as pulsações se calam nega que haja poesia, não importando quais e quantas sejam as outras coisas que ocupam seu lugar, acumuladas na obra, por mais que sejam apreciáveis por virtuosidade e sabedoria, por nobreza de entendimentos, por agilidade e engenho, por aprazibilidade de efeitos. Quem não entende de poesia perde-se perseguindo estas coisas, e seu erro não é admirá-las, mas admirá-las chamando-as de poesia”.

 

Na minha opinião, uma obra de arte tem um grande número de propriedades muito diferentes das que caracterizam um objeto que, apesar de materialmente indiferenciável dela, não é uma obra de arte. Algumas dessas propriedades podem muito bem ser estéticas, tendo a faculdade de provocar experiências estéticas ou a possibilidade de ser consideradas “preciosas e valiosas”. Mas para reagir esteticamente a essas propriedades é preciso antes saber que o objeto em questão é uma obra de arte, de modo que para reagir de modo diferenciado a essa diferença de identidade é preciso que já tenha sido feita a distinção entre o que é arte e o que não é. (Danto, 2005: 151)

 

 

Rubens Pontes

Professor de Artes Visuais.

S.P. 2015

 

 
 
...Entendendo a obra de arte como estrutura, ou seja, como um conjunto de elementos organizados segundo um sistema de rigorosas dependencias internas. Esto implicaria uma conciência metalinguistica que se materializa na obra de Ana Rey no proprio ato de pintar, compor ou instalar. 

 

 

Trecho da Monografia da Universidade Nacional de Córdoba

Cátedra: Arte Argentino e Latino Americano

Prof. Asisstente: Lic. Mónica Jacobo

Prof. Adscrita: Nora Ballari

Alunas: Mohadile, Nahir; Villanueva, Celeste.

Córdoba, Outubro 2012

Trad. Ana Rey

As colagens de Ana Rey parecem sempre desafiar a gravidade e o patamar das paredes sólidas. Os fragmentos de papéis se proliferam aparentemente de maneira caótica, mas após um olhar mais atento, subjaz uma ordem quântica que confere ritmo e expressividade aos trabalhos. Cada espaço a recobrir representa um novo desafio a ocupar um terreno recém conquistado. Uma vontade arquitetônica parece se dissolver pela entropia, o ato da criação remete a experiência de Sísifo de levar a pedra ao cume da montanha, com o receio que ela possa cair novamente. E, no entanto, a cada tentativa, uma nova peça de tijolo alimenta os alicereces de uma construção futura.

Marco Giannotti

Professor e Doutor em Poéticas Visuais da Universidade de São Paulo

2017